24 de outubro de 2010


Como se eu fosse ouvida, eu gritei. 
Gastei meus dedos calejados no violão ao som de “Que País é Este?”. 
Rouca demais, pequena demais. 
Suficientemente tímida pra virar revolucionária de sofá. 
Eu me revolto com a notícia e mudo de canal. 
Eu prefiro rir da incapacidade de relacionamento do Dr. House do que admitir a minha própria. 

Verônica H.

Chega em mim sem medo, toca meu ombro,
olha nos meus olhos, como nas canções do rádio.
Depois me diz: "-Nada mais importa. 
Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém.  
Agora você me tem, agora eu tenho você. 
Nada mais importa. O resto? Ah, os restos são restos. E não importam.  
Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar. 
Triunfo, Tenerife, Paramaribo, Yokohama. Agora já.  
Peço e peço e não digo nada, mas peço peço diga, diga já, diga agora, diga sim. 
E vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a 
rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa
– gosto muito de você de você muito de você.”
 
Caio Fernando Loureiro de Abreu




Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são 
suficientes para despertar a suavidade alheia. 

Caio F. de Abreu

Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim:
vivo me perdendo de vista. 
Preciso de paciência porque sou vários caminhos,
inclusive o fatal beco-sem-saída.

Clarice Lispector

Como se seu estado natural fosse constantemente esse, quase sorrindo, olhando para outro lugar que não era aqui. Onde as coisas fossem diferentes, boas de serem vividas.

Caio Fernando Loureiro de Abreu

Como se tivesse retomado a um anterior estado de
pureza depois de muitas marcas.

Ana Jácomo

Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada 
a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão.
Caio Fernando Loureiro de Abreu

Ela gosta de colecionar segredos. 
Coisas grandes, que ela guarda dentro de uma caixinha. 
É doce, doce, extremamente doce, tão doce. 
E ela fica ali, mastigando alegrias.
 
Caio Fernando Loureiro de Abreu

13 de outubro de 2010


"O sonho encheu a noite, extravasou pro meu dia, 
encheu minha vida e é dele que eu vou viver, 
porque sonho não morre." 

Adélia Prado

1 de outubro de 2010