Existe um único antídoto para a falta de tempo. Um único. Estar apaixonado.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado. ♥
Fabrício Carpinejar
13 de fevereiro de 2011
Perder-se é uma maneira de fazer novos caminhos e quebrar a rotina.
Ninguém acha um atalho sem se perder antes.
O que é o amor pra você hoje?
Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, é talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos. Amar é uma confissão. Amar é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito. Amar é não ter vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É lavar louça e nunca estar sozinho. É arrumar a cama e nunca estar sozinho. É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite.
Ela escolheu envelhecer comigo. Pode ter sido compaixão pela minha falta de jeito, acaso ou acidente dos cabelos lisos.
Ela escolheu envelhecer comigo. Pode ter sido amor, simpatia ou alguma perda fora de mim que despertou suas perdas. Pode ter sido a idade que pedia um marido, sei lá, o marido pedia uma idade. Ela escolheu e aqui fez sua noite. Suas mãos se toldam em uma tenda quando alivia minha barba de outros odores que não o seu.
Fabricio Carpinejar - Céu e Livro de Visitas
As cartas de amor deveriam ser fechadas com a língua; Beijadas antes de enviadas. Sopradas. Respiradas. O esforço do pulmão capturado pelo envelope, a letra tremendo como uma pálpebra. Não a cola isenta, neutra. Mas a espuma, a gentileza, a gripe, o contágio. Porque a saliva acalma um machucado.
As cartas de amor deveriam ser abertas com os dentes. Fabricio Carpinejar - Como no céu
Tu, minha mulher, eras corrente e água calma, as oscilações da palha e trigo.
Fabricio Carpinejar
O respeito não chega com a cor dos cabelos.
A mata fechada tem a sua clareira no solo. Assim é possível se preparar para amar mais o que não está na gente.
Fabrício Carpinejar
6 de dezembro de 2010
A falta de palavras é também um idioma. O que se esforçou para viver não desaparece.
Fabrício Carpinejar
21 de novembro de 2010
Nossa alegria não significa que estamos amando. Pode significar que podemos amar.
Fabricio Carpinejar
28 de outubro de 2010
Quando penso que escapei de minha timidez, há um gesto inesperado que me faz corar e regressar,