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1 de fevereiro de 2012


Quando estamos diante de algo ou de alguém que é absolutamente precioso na nossa vida, a gente ama. E muitas vezes se surpreende, de novo ou pela primeira vez, com a própria capacidade de amar. 

Ana Jácomo

8 de novembro de 2011


Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranquila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus.

Ana Jácomo

25 de setembro de 2011

 

Tudo passa. Nada permanece inalterado. Nada permanece o tempo todo, do mesmo modo, no mesmo lugar. Inclusive aquilo que gostaríamos que não passasse nunca. Aprendi, embora tantas vezes esqueça e as circunstâncias me convidem a relembrar, que a ordem natural das coisas é a fluência, o movimento. O fechamento de um ciclo e a inauguração de outro.

 Ana Jácomo
 

É maravilhoso quando conseguimos soltar um pouco o nosso medo e passamos a desfrutar a preciosa oportunidade de viver com o coração aberto, capaz de sentir a textura de cada experiência, no tempo de cada uma.

Ana Jácomo

São pessoas que não querem mostrar nada além da espontaneidade que já conseguem. Não querem caber onde lhes falta espaço. Não têm a pretensão de ter montes de amigos: se tiverem um, capaz de amá-las, de verdade, já estão no lucro. Querem amar e ser amadas, sim, desde que cada pessoa tenha liberdade para ser.

Ana Jácomo
 

No pedacinho de mar aninhado na areia, eu vi o sol refletido. 
A vida, às vezes, é tão intensa que nem precisa fazer sentido.

Ana Jácomo

23 de junho de 2011


Que eu saiba as minhas asas, ainda que com medo. Que, ainda que com medo, eu avance.
Ana Jácomo

 Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim.

Ana Jácomo

Seria bacana se a gente pudesse dissolver a ilusão de que para sermos amados temos que ser outros que não nos habitam. Outros que não somos. Outros que, no fundo, não podemos ser, mas também não precisamos. Ter outras caras. Outros corpos. Outros gostos. Outros sonhos. Outros jeitos. É inútil qualquer esforço de tentar caber onde o nosso coração não está.

Ana Jácomo 

15 de junho de 2011


Vive mais feliz quem tem olhos capazes de escutar o canto amoroso da simplicidade. Nas miudezas que tudo aquilo que realmente importa se revela com maior nitidez.

Ana Jácomo

30 de maio de 2011

Foto de Ruth Toledo Altschuler

Foi de manhã, quando eu cuidava das plantas, que vi pela primeira vez a flor ainda guardada num lindo botão lilás. Disse tanto ao meu coração naquele instante, achei tão sincrônico dar de cara com ele nas primeiras horas do ano, que pensei em buscar a câmera para fotografá-lo. Não demoraria nada, coisa de dez minutos, menos até, mas diante do convite do céu ensolarado que me chamava lá pra fora, resolvi sair logo para não desperdiçar azul. Não desisti da intenção, só um breve adiamento, mais tarde haveria tempo de sobra para a foto planejada.

A verdade é que eu me ocupei tanto com os improvisos que o dia desembrulhou que durante as horas seguintes, mesmo já em casa, esqueci do botão de flor e da vontade de registrar o seu recado. Só lembrei dele, muito surpresa, quando lá pelas tantas da noite fui até a área buscar uma peça de roupa no varal e fui recebida por uma linda flor lilás toda desabrochada, toda dita, aquela que há poucas horas era poema ainda guardado. O tempo do botão havia passado, sem que passasse pela minha cabeça que pudesse passar tão rápido. Eu poderia fotografar outros botões, tantos quantos quisesse, centenas deles, mas aquele, exatamente aquele, era irrecuperável.

Sabemos que aquilo que vive tem seu tempo e, quer queira, quer não, é ininterruptamente tocado pela mudança. Sabemos que ela, essa criativa e imprevisível desenhista, modifica as feições de tudo a cada segundo com mãos hábeis e movimentos muitas vezes imperceptíveis. Sabemos, mas costumamos agir como se ignorássemos, talvez no afã de ignorarmos que também a nossa vida dança de acordo com a música da irrevogável lei da impermanência. Por mais que possa ser difícil admitir, não temos o mínimo controle com relação ao tempo de nada, inclusive do nosso. Saber disso pode ser apenas assustador. Saber disso pode, de variados jeitos, nos fazer sofrer e amarrar os nossos passos. Mas a clara consciência disso também pode abrir nossos caminhos. Também pode fazer uma diferença incrível. Também pode ser uma perspectiva que nos motive a viver a oportunidade de cada instante com mais atenção, responsabilidade, afeto, presença, liberdade.

Vamos combinar que adiar fotos de botões de flor e perder o instante deles não costuma constituir problema. Não nos tira o sono. Não macula a nossa paz. Não bagunça a nossa luz. Não faz o nosso amor engasgar. Não faz nenhuma culpa efervescer. Mas não podemos dizer o mesmo com relação à ternura adiada. Ao abraço adiado. Ao prazer adiado. À verdade adiada. À bondade adiada, com relação a nós mesmos ou aos outros. Ao perdão adiado, solicitado ou livremente concedível. À expressão adiada da nossa sincera gratidão. Ao adiamento do cuidado de facilitar a própria vida e também a alheia que, às vezes, tantas vezes, pode ser facilitada com um ínfimo gesto nosso. Ínfimo, ao mesmo tempo que imenso em essência. Ínfimo, ao mesmo tempo que adubo. Umas poucas palavras que revelem o nosso afeto com transparência. Um sorriso daqueles bons. Um olhar generoso com o coração da gente todinho nu.

Como eterna aprendiz, eu me atrapalho incontáveis vezes com os exercícios que me são propostos na sala de aula de cada dia, esse é um aprendizado bastante difícil. Atrapalhada, mas com disposição para aprender, a cada experiência eu renovo a ideia de que o melhor presente que podemos dar para a nossa vida e para outras é estarmos presentes o máximo que conseguirmos em cada instante. Sinceramente presentes. Amorosamente presentes. É sermos presentes para nós mesmos e uns para os outros com o coração.

Ana Jácomo

Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente se encante tanto por outra vida. E sinta vontade de escrever poemas. Garimpar estrelas. Deixar florir pelo corpo os sorrisos que nascem no coração. Nesse mistério que nos faz olhar a mesma imagem inúmeras vezes, sem cansaço, seja ela feita de papel ou de memória. Que nos faz respirar feliz que nem folha orvalhada. Querer caber, com frequência, no mesmo metro quadrado onde a tal vida está. Cantarolar pela rua aquela canção que a gente não tinha a mínima ideia de que lembrava.

Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente encontre essa vida na multidão planetária de bilhões de outras. E sem saber que ela existia, perceba ao encontrá-la que sentia saudade dela antes de conhecê-la. Estive pensando nesse mistério que faz com que aquela vida que acaba de encontrar a nossa nos deixe com a impressão de estar no nosso caminho desde sempre, como se fosse um sol que esteve o tempo todo ali e a gente somente não o ouvia cantar. Nesse mistério que nos faz trocar buquês dos olhares mais cuidadosos. Que nos faz querer cultivar jardins, lado a lado. Nesse mistério que faz com que a nossa vida queira um bem tão grande à outra vida, que vai ver que isso já é uma prece e a gente nem desconfia.

Estive pensando nesse mistério lindo que você é para alguém e alguém é para você ou que ainda serão um para o outro. Nessa oportunidade preciosa dos encontros que nos fazem crescer no amor também com o tempero bom da ludicidade. Nesse clima de passeio noturno em pracinha de cidade pequena. Nessa paz que convida o coração pra recostar e repousar cansaços. Nesse lume capaz de clarear quarteirões inteirinhos da alma e acender um mundaréu de vontades no corpo. Nesse abraço com braços que começam dentro da gente. Nessa vontade de deixar o mundo todo pra depois só para saborear cada milímetro do momento embrulhado pra presente.

Estive pensando nesse mistério que não consigo desvendar. Nem tento.

Ana Jácomo

Quando o encontro é bom e tem lume não tem porta de saída:  
é pra sempre, 
de um jeito ou de outros, no coração. ♥

Ana Jácomo

Tudo que sabemos a respeito do amor é inacabado. A cada pretensa linha de chegada, o nosso entendimento se depara com uma nova linha de partida. A cada porta atravessada, encontramos mais à frente uma outra para ser aberta. Fonte inesgotável de vida, o amor é um caminho que clareia, progressivamente, à medida em que o percorremos. É como se cada passo nosso descortinasse um pouco mais da sua luz. A jornada é feita de dádivas e alegrias, mas também de imprevistos, embaraços, inabilidades, lições de toda espécie. De vez em quando tropeçamos nos trechos mais acidentados. Depois levantamos e prosseguimos: o chamado do amor é irrecusável para a alma. Desistir dele para ela, é como desistir de respirar.

Ana Jácomo

29 de maio de 2011


O amor, devagarinho, esgarça o tecido que veste as nossas defesas 
e deixa a nossa alma toda de fora. 
Depois, sorri, encantado, diante da beleza singular da nossa nudez.
 
Ana Jácomo

27 de abril de 2011


Eu sento à beira da praia dos seus olhos, incontáveis vezes, 
perto ou longe de você, só pra apreciar de novo.

Ana Jácomo

Infelizmente ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar. O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.

Ana Jácomo

20 de abril de 2011


São os olhos, exatamente os olhos, que eu mais ouço. 
A vida tem me ensinado, ao longo da jornada, que as palavras muitas vezes mentem.
Os olhos, geralmente, não desmentem o que diz o coração.
 
Ana Jácomo

4 de abril de 2011


Você está vendo só? tão simples cair na vida de alguém mesmo que seja de mansinho, de pouquinho em pouquinho até nos encontrarmos inteiros, mergulhados, envolvidos, na vida do outro
passa mais perto, passa beirando meu abismo, anda sobre a linha que nos divide, é um risco assumido, mas é o caminho que se percorre para de leve, muito leve, entrar na minha vida. ♥

Cáh Morandi


“O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura(...) A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos”

Ana Jácomo